terça-feira, 15 de maio de 2012
Preâmbulo
... E o orquestrar matinal dos pássaros
acordava o esquadrinhar daqueles incrédulos.
"O que será o amor?"
Dos persistentes porquês
rompem respostas tontas
E entre versos e notas
precipita dormente
um abstrato conceito que não é.
Diz-se do amor definições emprestadas,
reticências infindas,
canções e
até o que não é!
Calam-se os pássaros ao elevar do sol
e os niilistas de outrora,
absortos em sonhos,
adormecem cândidos
num chão de poesia e interrogações.
Erika Pók Ribeiro
sábado, 12 de maio de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Pudicas
Erika Ribeiro Pók
segunda-feira, 23 de abril de 2012
INVENTÁRIO
nada guardo;
Dos cigarros esquecidos pelos cantos,
nada trago;
Das promessas sonâmbulas deixadas ao pé da porta,
nada espero.
Da fumaça contorcida em néon doce,
nada viajo.
Dos lábios embebidos em Baco,
nada sorvo;
Das letras amontoadas em sentenças abstrusas,
nada leio,
nem levo,
nem ligo!
Do silêncio franciscano de seis cordas,
nada violo.
Do que foi, no verão passado, nada fica
e,
por assim ser, também não volta.
O esquecimento o condenará a ser nada em nós.
Cumpra-se, em cada um, o seu quinhão!
Erika Pók Ribeiro
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Alicio
num poeirão de estrelas,
a poesia matreira
que nasceu já “devez”.
Caminhou traiçoeira
fantasiando deboches;
inventou até saudade,
mas dela zombou.
Então, cansou-se do tempo,
dos versos instáveis,
das verdades bem feitas
e sem rima...
Rumou.
Não deixou nem vestígios,
ou sinais delatores.
Foi-se em silêncio, tal como veio.
Porém sem manhãs,
mãos,
nem olhares.
Fez-se ponto e
findou!
sábado, 7 de abril de 2012
"Pedilua"
Plantarei um pé de lua na minha janela, ao invés de água usarei versos meninos para regá-lo. Assim, quando brotarem as primeiras flores de luar, os vagalumes virão beijá-las!
E todas as noites, quando o véu da saudade tentar cobrir-me os olhos, arregaçarei minha janela florida, deixarei que a lua brote e que os vagalumes façam festa em meus cabelos!
Erika Pók Ribeiro
terça-feira, 3 de abril de 2012
Anonymus
Baús mais secretos,
Revira certezas caducas,
Atiça carbonos entorpecidos
E desconserta as tramelas em ferrugem
Que me guardavam desses
Redemoinhos?
Não te sei...
Achega-se assim,
Faz bagunça,
Rabisca tantas reticências e porquês
E vai...
Serelepe
A (des) construir outras saudades,
Despertando outros olhos, nada verdes.
Escurecendo os meus!
Quem é você?
Raia o dia;
Já não há mais tempo para
Saber...
Ser!
segunda-feira, 26 de março de 2012
Vez em quando
tagarela!
Quero versos espalhados pela sala e
uma canção enfeitando a madrugada.
Quero dedos retocando
meu sorriso,
lábios quentes recitando
minha orelha
e o cheiro manso que se instala
feito febre.
Quero assim, de vez em quando,
um tanto intenso
e quase insano,
e, de quando em vez,
um pouco mais.
Prefiro o agastar dos relógios,
o extrapolar remitente
dos espaços, dantes vazios,
fazendo rebentar neles
sorrisos absolvitórios.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Ofício da alma
traçando convexo um trilhar persistente
e nas linhas da vida derrama o poeta
mentiras-verdades que a alma conhece
e seus sonhos meninos,
a brilhar: vagalumes!
Não cria quimeras,
Nem fala do além,
expõe suas dores,
gozos e
agruras,
estende-os nos versos,
qual chita na feira
E deixa que as almas,
que um dia ainda os leiam,
contemplem as estampas,
e as vistam
(talvez).
quarta-feira, 7 de março de 2012
Mulher Ser
quinta-feira, 1 de março de 2012
Tinto
Do verso ébrio que rompeu
Na manhã distante;
Das mãos brincantes que se tocaram
Sem perceber;
Do olhar furtivo que muito conta
Sem dizer,
Fez-se a poesia que latejava na noite morna,
E dela, amanheceu impregnado teu perfume
E tuas mãos em minha pele.
Erika Ribeiro
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
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(...)
Descaminhos que seguem
e retornam a velhos estados de graça.
Caminhos que se esbarram
e do tombo misturam-se sonhos,
desejos meninos
e pitadas ardentes de uma loucura qualquer.
Desse encontro arquitetado pela lua,
confundem-se dias e madrugadas;
suor e saliva;
mãos, pés e almas livres.
Tal qual a embriaguez que também passa,
vão-se os dias apressados
levando-nos por caminhos outros...
E já não somos mais os guardiões
das madrugadas meninas,
nem os devotos espectadores do sol que rompe.
Agora somos apenas cada um,
perdidos nos labirintos de nós mesmos.
Seguir? Retornar?
Há uma saída à direita!
Até breve!
Erika Ribeiro
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Indefine
Serpenteia em minha mente,
sem melindres nem bons modos,
uma imagem persistente, lambuzada de pecado.
Enrosca-se naquilo que de mim resta
e vai,
coreograficamente, imobilizando meus temores,
amordaçando aqueles discursos
regados a moralismo troncho,
e entorpecendo qualquer ensaio de negação.
E assim, meio como fome, sede ou gastura;
Meio quente, forte, fraco,
manso, morno ou sem ser.
E sempre é.
Vai me tomando por inteira, uma força destemida,
que já é, mesmo sem ser,
vontade de você.
Erika Ribeiro
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Texto de encerramento da oficina "Eu no mundo através das palavras"
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
Tantas vezes rimos, opinamos, expusemos nossas dúvidas e certezas. Invadimos os mundos de Clarice Lispector, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros. E descobrimos ainda que a literatura pode caber nos 140 caracteres do twitter.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Plantando poesia
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Janela azul
sábado, 29 de outubro de 2011
Carlos Drummond de Andrade.
Mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo...
O quê?
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Excertos de uma historinha que quer nascer
(...)
domingo, 16 de outubro de 2011
Pés, para que te quero!
sábado, 15 de outubro de 2011
Poema II
Fundo falso
Não tente me conhecer pela imagem que teus olhos miram;
Ora, não creias em miragens!
Não tente me decifrar pelos versos que finjo criar,
e tu, finge interpretar ao pé da letra!
Não tenho pés...nem meus versos.
Eles alojam-se entre as linhas forçadamente retas
e eu escondo, ou mostro-me, entre tantas personalidades
fingidamente certas!
Não queira encontrar-me em vitrines, estandartes;
Meus sonhos não cabem em espaços finitos e,
Minha alma, em combustão eterna, não se fixa
a nada,
a ninguém!
Não desperdice os rótulos do teu mundo rotô
tentando identificar-me!
O que sou está nas minhas entranhas,
nas crateras mornas dos meus eus,
no obscuro e resplandecente recôndito de minh'alma.
Sem pernas, sem pés, sem marcas!
Erika Ribeiro
(imagem do google)quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Noite passada, havia um poema latente
Erika Ribeiro.
sábado, 16 de julho de 2011
Eurides Conceição
Ali, bicho e gente se misturavam ... conversavam harmoniosamente. Tantos segredos contei aos cabritos e às sabiás magrelas que roubavam carne estendida no pau da cozinha. Eu era comparsa nos seus crimes inocentes. Talvez, eu as acobertasse na tentativa de me redimir do mal que outrora lhes causara, quando colocava pedrinhas miúdas no bico dos sabiás filhotes.
Nesse tempo, que o calendário tirano levou, as vozes do galo e do jumento eram os relógios mais eficientes. Assim como pisar na cabeça da própria sombra indicava a hora do almoço: bode, feijão de corda, abóbora, maxixe...nham, nham, nham! O cheiro do café fresquinho, de Sinhá Uride, se espalhava toda tarde, convidando a todos pra sentar no banco da cozinha e degustá-lo numa prosa bem quente. Na Quaresma, os santos encobertos de roxo; no Natal os cânticos de louvor , e ela lá!
O rádio , sintonizado na AM, transmitia em suas ondas e Khz as informações do mundo lá fora e trazia as canções "mais mais da semana". De Gonzaga a A-Ha, de Kid Abelha a Scorpions...tantos mais. Ao meio-dia ela sempre ouvia o "Repórter Somassa" e para cochilar, as canções da tarde. Várias vezes fugi, enquanto minha casa dormia, para vê-la, através da janela, cochilando junto ao rádio.
O sol pendia no seu trajeto final e lá ia eu, rumo ao paraíso. Casarão de alpendre alto, cheiro de café torrado, bolinho branco de tapioca, pratos lavados na gamela e a figura mais especial de todas: Sinhá Uride, cuidadora das almas, dos corpos enfermos, dos filhos sem mãe, das cabras paridas, dos cabritos enjeitados, das ilusões das crianças. Alimentadora dos meus sonhos e da minha gula pelos divinais bolinhos brancos fritos na hora. Regou em mim um amor tão puro, guiou meus olhos para contemplar a vida de um modo tão simples e belo. Sem rouge, batom, scarpin ...a vida pura, rica em essência. Ela me ensinou que a liberdade é o maior trunfo da humanidade, que casamento e filhos a gente escolhe tê-los, ou não, e mesmo assim é feliz. E, principalmente que a caridade é a forma mais sublime de amar.
Hoje, este tempo arrancou a poesia daquele outro, destruiu as evidências materiais, mas em minh'alma não ousará tocar. Nada apagará um amor que nasceu puro, nem tirará da alma as lições que um tempo ensinou. Não há 1mg de veneno que mate honra, caráter e amor.
Erika Ribeiro.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Companheira indesejável

Trará-me os versos que busquei o mês inteiro,
Falará do que sentiu ao passear por teu ouvido,
Muriçoca...
Não me venha com mentiras,
No meio do mato
Criei-me no mato, entre os galhos torcidos do sertão,
Cheirando os aromas inigualáveis do alecrim, cambará, pereira,
Contemplando as cores que o cinza da seca camufla,
mas que basta o sereno de março pra lhes avivar;
Nasci no mato, na caatinga aprendi a caminhar;
Conheços as veredas, atalhos e , portanto,
sei livrar meus calcanhares dos espinhos;
Não me impeçam de voar!
As asas que a lambu me deu, assim como as magias que já vivi,
ninguém me toma.
Não há cerca que me impeça de trilhar os caminhos que escolhi.
Farei novas rotas, se preciso.
Se as cabras sempre mudam o trilhar e não se perdem,
por que eu me perderia?
Erika Ribeiro
segunda-feira, 18 de abril de 2011
(imagem do google) sexta-feira, 8 de abril de 2011
(Imagem retirada do Google) Peço licença ao mestre Arnaldo Antunes para divulgar, aqui, uma de suas canções. É que neste instante eu também tenho a sensação de que
NÃO VOU ME ADAPTAR
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quarta-feira, 17 de novembro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Quem será que lhes mete medo, fazendo-as saírem esfarrapadas ao vento numa pressa sem fim?
Passam... Espalham-se...Separam-se!
Cuidam para não deixar rastros, mas os farrapos dos
Teus assanhados cabelos vão ficando pelo caminho de Santiago,
Numa trilha macia de algodão doce celeste.
Ora camuflam a lua, ora escondem-se dela
Num vai e vem sem fim.
Estariam as nuvens brincando de esconde-esconde? Ou quem sabe haveria raposas no céu?
Não sei...meu quintal é pequeno demais para caber respostas sobre o céu.
Erika Ribeiro
20/09/10
sábado, 25 de setembro de 2010
CRÔNICA POLÍTICA
(Imagem retirada do google em 26/09/10)Comércio ilegal
Em todo ano eleitoral as cenas se repetem como os filmes da Sessão da Tarde: são candidatos aos milhares, alguns mais parecem recém saídos das cavernas; são jingles completamente ridículos, que de tanto serem repetidos nos causam náuseas; são promessas velhas, renovadas a cada pleito e que jamais serão cumpridas e outras que de tão esdrúxulas mais parecem uma obra do Dadaísmo; e um horário político que se assemelha a um espetáculo humorístico. Você, caro leitor eleitor, sabe bem do que falo.
Porém, em meio a tantos motivos para reclamar, o que mais me irrita, neste período de fato incômodo, é essa deslavada comercialização de homens e consciências e a consequente subestimação de nossas capacidades. Em cada cidade, região, aleivosos líderes políticos vendem votos de seus conterrâneos em troca de benefícios, regalias, um status mórbido que se finda após o escrutínio (quase sempre). Tais “líderes” garantem aos SEUS candidatos mantenedores uma vasta votação, e passam a importunar os eleitores persuadindo-os a votarem nestes.
Não há nada mais ofensivo, e tosco, do que um pedido de voto. O “vote em fulano”,” Dê um votinho em sicrano”, além de ser uma clara tentativa de subestimar a inteligência do outro é, sem sombra de dúvidas, uma afronta à democracia. Seria mais interessante apresentar o candidato, suas propostas, seu histórico, mas é mais fácil manipular, iludir, “cegar” o povo.
Vendem - nos aos montes, tal qual o sertanejo vende suas cabras magras, famintas, “de porteira fechada”, ou seja, todas as suas cabras, cabritos e bodecos do chiqueiro. E se uma cabrinha, digo eleitor, ousa questionar ou negar-lhe o voto, é bravamente repelido, como se suas pretensões de voto fossem chaga mortal.
Contudo, bem mais para informar que para contrariar, peço aos líderes marchantes que tenham me vendido ou me incluído em seus currais, que, por favor, me tirem de suas listinhas. Eu já tenho discernimento, Senhores, sei bem o que quero, e essas suas cercas e porteiras são demasiadamente frágeis para me prenderem.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
POEMINHA VIRTUAL

ou seja,
se for parar pra pensar...
Sou todo tudo,
sem compreender os sinais...sem destiguir os rumos...
é seguir sem prumo,
domingo, 19 de setembro de 2010
CRÔNICA III. CRÔNICA??

Noutro lado grita a psicologia: Forma de interação psicológica ou psicobiológica entre pessoas.
*Imagem retirada do google
sábado, 18 de setembro de 2010
CRÔNICA II
(Imagem retirada do google)Ontem, enquanto conversava com um amigo de longas datas fui surpreendida com o que dele ouvi. Falava-lhe das minhas angústias, das dores físicas e d’alma que habitam em mim, dos fracassos que parecem avalanches e dessa sensação estranha de estar morrendo intimamente, um pouquinho a cada dia, enquanto o corpo finge estar vivo. Confidenciei-lhe minhas mazelas na remota esperança de ouvir uma daquelas frases de auto-ajuda ou, o que seria mais provável, um sacolejo daqueles que nos mandam à vida com a mesma pressa e força que a mãe nos manda levantar.
Qual não foi a minha surpresa quando me disse:
De súbito não compreendi, passado o susto ainda ecoava em meus ouvidos “Você está muito poética ! Você está muito poética ! " Como poderia estar poética se falava de frustrações? Derrotas? Ele equivocara-se, definitivamente.
Hoje, em fria noite, o acaso faz-me erguer os olhos e redescubro a lua que há tempos não via. Só aí compreendi... De fato eu estava/ estou muito poética. A partir daí percebi o quanto são falsos os conceitos, como se camuflam em cada ser, em cada mundo, em cada lua! Ser poética é tão transcendental que chega a abranger os mais variados valores semânticos e humanos.
O ser em si já é infinito; e, a poesia; a poética, estado de graça de quem poetisa (até na dor) é tão incomensurável quanto estas dores que me encarceram e essa lua que se doa sobre mim.
sábado, 24 de julho de 2010
NOVO BLOG
Pessoal, este é um segundo blog, cansei do primeiro. Os poemas e textos do antigo continuam por lá, apreciem sem moderação essas duas casas da imaginação.
www.noitesevagalumes.zip.net
CRÔNICA
Diálogos com a consciência
Foi numa terça-feira comum, azulada como eram até então todas as outras, que descobri que existir é algo infinitamente complicado, não que eu tenha descoberto por vontade própria, fui persuadida a isso.
Funcionária pública assalariada. Livro de ponto, entrada e saída. Salário tristonho na última terça do mês. Esse era o dia; aí começa minha via crucis.
Na agência bancária uma fila sem pernas. Depois de horas fingindo-me árvore, veio a primeira informação: "você não existe". Indo ao setor burocrático (ir)responsável pela minha suposta existência, ouço uma voz mecanizada, programada para não dizer coisa alguma:
- Você?! Você existe?! Você não existe!
De súbito parei:
-An?! Como assim?! Eu existo, olha eu aqui! Documentos.Assinaturas. Ei, moça...psiu...
- ...
- ...
Nos dias que seguiram continuei sem existir. Não sou um número como querem meus senhores. Não tenho um registro de série, código de barras... sequer os números da besta estão tatuados em minha testa cravejada de rugas e espinhas.
Belo conflito existencial. Voce, ilustre leitor, deve estar cismando: " Que me interessam os seus problemas? Já tenho os meus". Sou forçada a concordar convosco...
É que a partir dali não bastava a minha auto-existência, essa minha consciência tagarela. Era imperioso que os outros autorizassem a minha existência. O meu existir necessitava de ofícios, requerimentos, carimbos...
Nunca a gênese divina fora tão burocratizada, e eu, já em dúvida passei a perceber que de fato eu não existia; nada existia ... Nem mesmo esse verbo, em seu pretérito imperfeito, amenizava a minha agonia.
Outras terças, agora em cinza, passaram até que finalmente o telefone tocou e do outro lado alguém perguntou por mim. Sim, mas quem sou eu? Lá na agência bancária uma máquina nada simpática confirmou que eu existia. No caminho de casa um bebê, ainda banguelo, me sorriu... Eu começava a existir. Dentro de mim uma força estranha pulsava, desejo de gritar toda essa minha existência amordaçada. Contentei-me com um picolé de umbu.
Ah! No setor burocrático não há parecer, resposta, portaria... Não importa! Cá dentro sei que existo!
Erika Jane Ribeiro


















